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Memória truncada ou Sujeira revisitada

Eram amigos, se conheciam desde que seus nomes ainda eram diminutivos. Não só os dois mais as famílias também, todos muito amigos, quase sangue.Não se viam havia anos. Os nomes agora já apelidos, brincadeiras, codinomes. E foi uma surpresa se cruzarem numa festa na qual não esperavam se encontrar. Ele se apaixonou (ou quase) e ela também. Foram tantos beijos loucos e tanta cumplicidade sincera, cumplicidade trazida pelos anos, já que eram completamente diferentes em tudo o que poderiam ser. Foram horas poucas mais deixaram marcas, marcas daquelas que andam junto com você em algum lugar escondido que ninguém vê mais que incomodam quando tocadas. Passaram-se meses até que se encontrassem de novo. A locação do segundo encontro já não era neutra. Ele foi visitá-la e ninguém se lembra por que. Não se tocou no assunto daquela outra vez, era como se não tivesse acontecido. Antes de ir embora o beijo de despedida. Foi exatamente neste momento em que ela se perdeu completamente. Vontade louca, louca de vê-lo, de tê-lo, de transformá-lo. Num outro dia, sairam de novo e quando o concerto já havia terminado, foram todos para a chácara de uma amiga. Ela agora já embriagada de vinho, de noite e de vontades dançava em volta da fogueira. Dançava, rodopiava, fechava os olhos e via somente aquela paz morna, aquela alegria pura. Sentia-se pura. Alguém a puxou e dançou com ela aquela uma música e nem importava quem fosse, não abriu os olhos só pra sentir melhor. Mas a paz nunca lhe era suficiente, então fumou mais, bebeu mais, cheirou mais e chegou ao limiar de alegria suprema, daquela que só se reconhece por inexistir na manhã seguinte. Ela lembrava de tudo isso mesmo muitos anos depois e são vários os motivos que não a deixam entender porque naquele momento ele teve de arrastá-la para aquele quarto sujo, porque teve de tirar suas roupas sujas e porque teve de penetrá-la até que sua alma ficasse marcada por toda aquela sujeira indelével. No dia seguinte acordou sentindo-se mal. Quando cruzou a sala para vomitar encontrou-o mirando-a em reprovação absoluta e então ficou triste por perceber que era provavelmente mesmo tudo sua culpa. Não devia confiar em ninguém daquela maneira.

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